Mário de Carvalho: Uma vida dedicada às letras

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Foto de Enric Vives-Rubio, obtida em www.publico.pt

O nome de Mário de Carvalho não é desconhecido dos leitores portugueses. Nascido em Lisboa em 1944 mas com raízes a sul, celebra este ano 40 anos de carreira, efeméride que vai ser assinalada, de forma especial, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Hoje, dia 22 de Novembro, o dia de celebrar a vida e a obra num evento que contará com a presença do Presidente da República. O percurso de Mário de Carvalho faz-se ao longo das páginas de géneros tão variados como romance, novela, conto, ensaio, crónica e teatro.

Com um percurso ligado à resistência contra o salazarismo, acabou por ser condenado a dois anos de prisão e ter de viver exilado até à Revolução de Abril, momento a partir do qual pode exercer advocacia. Em paralelo, foi nas letras que encontrou o seu porto de abrigo e a sua obra tem sido extensamente premiada ao longo dos anos. Prémios como Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (1991, 2014), Prémio Vergílio Ferreira (2009) ou Prémio Fernando Namora (1996, 2009) galardoaram a sua obra, destacando-o no panorama dos autores nacionais. Para quem tiver curiosidade, pode ler neste artigo uma entrevista feita a Mário de Carvalho pelo Jornal de Notícias.

 

Mário de Carvalho: Sugestões de leitura para celebrar 40 anos de escrita!

Se queres iniciar ou expandir a tua leitura na obra de Mário de Carvalho, aqui ficam algumas sugestões de leitura.

  • De maneira que é claro…: Relances breves, aleatórios, reminiscências evocadas entre lacunas e ao correr da pena, mas que a memória quis preservar. A infância entre as ruas da Graça e da Penha de França, as férias em Alvalade, o Liceu Camões e o Gil Vicente, os amigos, os companheiros, o Cavaleiro Andante e o Sitting Bull, os pais, os primos, a consciência política e a surpresa da prisão do pai. A faculdade, os movimentos associativos, a Pide e o PCP, os encontros clandestinos, a prisão e o exílio. Espanha, França, Suécia, e Portugal à espera do 25 de Abril. Memorabilia: «Factos ou coisas dignos de memória ou que se guardam como lembrança.» Memória hábil, a de Mário de Carvalho, que em fragmentos se nos dá por inteiro.
  • A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho: Uma horda de cavaleiros berberes do século XII vê-se subitamente em plena Avenida Gago Coutinho por incúria da deusa Clio, que se deixa adormecer, enredando na sua tapeçaria milenar os acontecimentos de 4 de Junho de 1148 e 29 de Setembro de 1984. Um elevador não pára de subir. Um frade no seu convento resiste ao Dia do Juízo Final. Um homem simples vive um quotidiano dantesco. Um chimpanzé é capaz de reescrever a obra Menina e Moça. Um navio negro, desarvorado, muito maltratado pelo mar, dá à costa, trazendo consigo a pestilência. Um padre exorcista tem uma estranha particularidade anatómica. Um livro que integra as sugestões do Plano Nacional de Leitura para a formação de adultos.
  • Quem disser o contrário é porque tem razão: Ser escritor. O texto ficcional. Dilemas, enigmas e perplexidades do ofício. No vale das contrariedades. Nada do que parece é. O «assertivismo» é um charlatanismo. A valsa dança-se aos pares: escrita e leitura, autor e leitor, personagem e acção, causalidade e verosimilhança, contar e mostrar, o dentro e o fora, a superfície e o fundo. O bico-de-obra do primeiro livro. Por onde começar? Com que começar? Com quem começar? A manutenção do interesse. Não há regra sem senão; não há bela sem razão. Ou o oposto. Riscos, cautelas e relutâncias.
  • Contos vagabundos: Estes contos são vagabundos porque não param de caminhar, percorrem as estradas do arco-da-velha, deambulam pelos recantos mais sombrios, mas também surgem à claridade do dia, marcham alegremente e intrometem-se, com ironia, nas tramas do nosso quotidiano. Pelo caminho, vão deixando o mundo às avessas, interpelando o leitor e desafiando-o para a aventura e para as perplexidades da vida e da literatura. O demónio também faz por aqui as suas andanças. Insiste em pôr-nos um espelho na frente. Um livro que integra as sugestões do Plano Nacional de Leitura para a formação de adultos.
  • Um deus passeando pela brisa da tarde: Lúcio Valério Quíncio é o magistrado de Tarcisis, cidade romana da Lusitânia no século II d. C. Como dirigente máximo, cabe-lhe tomar todas as decisões, enquanto tumultuosos acontecimentos conduzem a pequena cidade ao descontentamento geral. No exterior, notícias de uma invasão bárbara iminente, proveniente do Norte de África, obrigam-no a drásticas medidas, enquanto, no interior das muralhas, uma nova seita, a Congregação do Peixe, põe em causa os valores da romanidade, evocando os ensinamentos de um obscuro crucificado. No plano íntimo, a paixão devastadora por uma mulher, Iunia, perturba-o e confunde-o, mas sem o afastar do cumprimento do dever. Um livro que integra as sugestões do Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário.

Outras sugestões de leitura de Mário de Carvalho podem ser encontradas aqui.

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