Dia de los Muertos: Para além da data no calendário

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O Dia de Los Muertos, data importante da cultura mexicana, é muito mais que um dia no calendário. Ele reúne famílias em torno dos entes queridos que partiram, assinalando a morte como nenhuma outra. Esta comemoração nasce no início dos anos 1500 na América Latina. É um dia que mistura as tradições aztecas e os hábitos cristãos impostos pelos Espanhóis. Dois dos seus principais símbolos são caveiras decoradas e os altares para os entes queridos que partiram, onde as famílias deixam oferendas especiais. Trata-se de uma dada vivida profundamente em família onde a principal mensagem é não deixar apagar a memória dos que partiram.

É uma tradição especial vivida por miúdos e por graúdos. O filme Coco da Disney mostra muito bem como é vivido o Dia de los Muertos. Um filme com uma musicalidade especial, mostra como os sonhos de uma criança podem ter raízes profundas na sua família. Um filme que não deixa ninguém indiferente, apelando à nossa memória das pessoas de quem mais gostamos e que já partiram. Este filme mostra como a morte é profundamente marcada pela nossa cultura. O livro “A morte explicada aos mais novos”, de Manuel Mendes Silva, fala também desta diferença de costumes. Podes ler mais sobre este livro e a entrevista que fiz ao autor neste artigo que escrevi em Abril de 2020.

 

Dia de los Muertos: A solidão vivida através dos livros…

Falar de solidão é, inevitavelmente, falar de Gabriel García Márquez. Autor colombiano, Prémio Nobel da Literatura em 1982, dedicou a sua escrita à reflexão sobre a condição humana e a solidão. “Cem anos de solidão”, uma das suas obras-primas e que abriria caminho ao realismo mágico, tem a frase que escolhi para ilustrar o texto de hoje. O esquecimento da morte vence quando o último familiar vivo esquece quem partiu. É aí que a alma se transforma em cinzas e abandona verdadeiramente o domínio dos vivos… O filme Coco tem uma bonita reflexão sobre isso: alguém só morre verdadeiramente quando a última pessoa viva se esquece dele…

José Luís Peixoto, numa especial homenagem ao seu pai, escreve “Morreste-me”, editado pela Quetzal. Livro intenso, melancólico e carregado de comoção, mostra como o luto se transforma em magia nas palavras. Um livro que pode ser o porto de abrigo após a perda de alguém… Já “As intermitências da morte”, de José Saramago, divaga entre vida e morte, partindo da hipótese “No dia seguinte ninguém morreu”. Mais um Prémio Nobel da Literatura, mais uma profunda reflexão sobre o caminho que todos nós fazemos até ao derradeiro dia…

O luto pode ser o maior desafio dos vivos e ninguém melhor que Irvin D. Yalom para falar dele. Psiquiatra que dedicou a sua vida aos que sofrem com o luto, escreveu “De olhos fixos no sol”. Este livro mostra um caminho para vencer o medo da morte, misturando reflexões de pensadores como Séneca com psiquiatras como Freud. Já “Uma questão de morte e de vida” conta os últimos meses vividos com Marilyn Yalom, sua mulher, e a expressão maior que o luto pode ter como demonstração do amor tido em vida.

 

E uma última sugestão “até à eternidade”…

O livro “Até à eternidade”, de Caitlin Doughty, fala da forma como a morte é encarada em todo o mundo. Na sua sinopse, lê-se que “é uma aventura pelo mórbido desconhecido, uma história sobre as muitas maneiras fascinantes pelas quais as pessoas de todos os lugares enfrentam o desafio humano da mortalidade“. Um livro que explora diferenças culturais, expõe tradições, mostrando as diferentes formas de viver o luto, sempre respeitando quem já partiu.

 

Outras sugestões de leitura de Gabriel García Márquez

 

Boas leituras e não deixes de partilhar comigo o que achaste das curiosidades que partilhei sobre o Dia de los Muertos e das sugestões de leitura para este dia 🙂 

 

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