“O espião português”: O primeiro livro de Nuno Nepomuceno

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“O espião português”, de Nuno Nepomuceno, surge em 2021 numa edição da Cultura Editora. Este é o primeiro livro da trilogia Freelancer, tendo sido este o livro vencedor do Prémio Literário Note! 2012. O Nuno Nepomuceno é mais conhecido pelos leitores portuguesa série Afonso Catalão, que tantos fãs reúne entre os leitores portugueses.

 

O que podes encontrar em “O espião português”?

Toda a história gira em torno de André Marques-Smith, o típico menino de boas famílias com um percurso privilegiado de vida. Estudou numa boa universidade e recebeu uma herança choruda que lhe permitiu comprar a sua casa num condomínio de luxo a alguns quilómetros de Lisboa. A rematar tudo isto, conseguiu o seu emprego de sonho no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Filho de um diplomata que se apaixonou por uma menina portuguesa não muito vistosa, vive agora uma vida dupla. Uns dias, André é assessor pessoal do Ministro dos Negócios Estrangeiros e diretor do Gabinete de Informação e Imprensa desse ministério. Outros dias, é um espião ao serviço da Cadmo. Esta é uma organização semi-governamental, entre cujos responsáveis estão algumas das figuras principais da esfera política e do poder europeu.

Pequena curiosidade? Os pais de André foram também espiões ao serviço da Cadmo. Estes são os ingredientes base que caracterizam a personagem principal de “O espião português”. Uns mais cliché que outros, fizeram-me pensar no filme da Pixar, “Os incríveis”: pais e filhos são espiões ao serviço da luta contra o mal. Atenção que esta comparação não tem qualquer desprimor para a construção da personagem pelo Nuno Nepomuceno… Apenas que o sangue de espião pode correr nas veias de uma família, de forma mais ou menos clara e conhecida.

 

O que senti ao ler “O espião português”?

Como o próprio autor escreve na sua nota a esta reedição, “O espião português” foi o seu primeiro livro, carregado com a necessária ingenuidade e criatividade que podem caracterizar a primeira obra. É a experiência e os diferentes projectos que nos permitem evoluir e chegar a um determinado ponto que acaba por se tornar uma imagem de marca. Em “O espião português” é possível encontrar já algumas das características de narrativa a que Nepomuceno nos habituou nas aventuras de Afonso Catalão. Apesar disso, senti a falta de algo que se encontra nos livros de Catalão. Com uma sucessão de eventos que lhe dá dinamismo e velocidade sem espaço para momentos mais parados, nota-se que é ainda um thriller quase embrionário. Senti que este livro ainda não tem o crescimento de história que se sente em livros como “A célula adormecida” ou “Pecados santos”.

Ainda que não tenha sentido o mesmo envolvimento com a personagem principal (talvez porque, esta segunda, nos traz uma série de explicações e de informação histórica que faz mais o meu género), gostei bastante de ler “O espião português”. A linguagem acessível, as diferentes reviravoltas que vão acontecendo e o crescimento dos detalhes das personagens principais cativou-me bastante. Mesmo tratando-se esta de uma versão melhorada da que ganhou o prémio em 2012, facilmente se identificam os traços  que têm vindo a tornar Nuno Nepomuceno sinónimo da escrita no género thriller em Portugal.

Arrisquem na leitura deste livro que, tenho a certeza, não se irão arrepender em nada!

 

O que já se escreveu sobre o Nuno Nepomuceno e os seus livros nas Leituras descomplicadas?

 

O livro “O espião português” foi-me gentilmente cedido pela Cultura Editora.

Comments 2

  1. Olá,
    Gostei muito de ler sua opini]ao sobre o livro. Eu tenho muita curiosidade em ler algum livro do autor e gostei de conhecer um pouco mais sobre esse. Só não decidi ainda se vale a pena começar por esse, primeiro do autor, ou pela outra série, mais conhecida.

    Beijo!
    http://www.amorpelaspaginas.com

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