Parentalidade nos dias de hoje: o que é a PHDA?

PHDA. Quatro letras que traduzem uma perturbação neurocomportamental que afeta crianças, jovens e adultos. PHDA é a sigla para Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Uma sigla que traz um peso acrescido para quem vive com ela diariamente. Outubro é o Mês da Consciencialização da PHDA e importa falar dela e ajudar pais e crianças a terem dias mais serenos. A criança com PHDA é vista como mal comportada e como a que faz sempre asneira. Estes rótulos, colocados por quem está de fora, podem fazer a diferença entre um rosto feliz ou triste. Hoje trago algumas sugestões de leitura, pensadas para adultos e crianças, e que podem ajudar a tornar a PHDA menos um bicho-papão.

 

Quando a PHDA é vista como um rótulo…

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Margarida Crujo, pedopsiquiatra, publicou recentemente o livro “O meu filho não precisa de rótulos” pela Manuscrito Editora. Não é um livro apenas sobre PHDA: fala de outros temas como perturbações do comportamento, ansiedade, depressão, espectro do autismo, enurese e perturbações do sono. Cada capítulo fala sobre uma destas perturbações, com teoria, casos práticos e estratégias que podem ser aplicadas em família e na escola. A sua organização ajuda a encontrar facilmente o capítulo de maior interesse para o leitor, com resumos dos principais pontos associados a cada uma das perturbações descritas. Esta sistematização é muito positiva, sendo simplista e pragmática, sem perder o valor científico.

A autora deixa uma nota importante: “Este livro tem o objectivo de esclarecer assuntos relacionados com a saúde mental infantil e juvenil e aproximar desses mesmos temas quem por eles se possa interessar. O conteúdo exposto é científico, no entanto, é descrito em linguagem que se pretende acessível para a população não médica e, ao mesmo tempo, por vezes não tão pormenorizado quanto a ciência o descreve, para que o livro não perca o seu intuito inicial: chegar ao maior número possível de pessoas interessadas. Em momento algum a análise deste livro deve substituir uma consulta de pedopsiquiatria, em que a especificidade da relação criada entre médico e paciente ultrapassa qualquer tipo de conhecimento que possa ser veiculado numa obra destas“.

O que achei da leitura deste livro?

Acho o título do livro muito bem escolhido! A nossa sociedade quer colocar tudo em gavetas e dar um nome. Existem escolas que “orientam” famílias a retirar os seus filhos por não encaixarem em padrões definidos para manter o lugar no ranking… E isso é tão errado…

Usar “o meu filho não precisa de rótulos” é colocar o dedo na ferida! A última coisa que uma criança precisa é este ou aquele rótulo, que pode moldar para sempre a sua personalidade e condicionar o que pode pensar de si ou no que pode acreditar. Atribuir um rótulo a uma criança e querer que ela encaixe numa categoria é errado e este livro é importante por transmitir essa mensagem. Os problemas de comportamento, de desenvolvimento e de saúde mental existem e devem ser tratados… Mas isso nunca deve ser sinónimo de “carimbar” uma criança para sempre e deixar de acreditar em trudo aquilo que ela pode ser capaz de alcançar! Parabéns à autora por ter feito esta escolha de título!

 

Da teoria à prática para todos

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A equipa de Neurodesenvolvimento do Hospital CUF Descobertas produziu um guia teórico sobre PHDA. Este guia dá estratégias para o dia-a-dia das crianças, jovens e adultos com PHDA e para as suas famílias. “Hiperatividade e défice de atenção. Da teoria à prática” agrega o conhecimento de uma alargada equipa multidisciplinar. Apenas conhecimentos agregado desta forma desmistifica as abordagens possíveis a uma condição que acompanha quem é diagnosticado para toda a vida.

O livro aborda o diagnóstico da PHDA, os seus efeitos no dia-a-dia, principais problemas associados e práticas a adoptar em contexto familiar e escolar. A entrada da PHDA na vida de uma família é ganhar uma companheira para a vida. Importa reunir esforços para proporcionar o melhor para a criança ou jovem. A PHDA carrega ainda uma mochila de preconceito consigo que importa abandonar, pelo bem estar e felicidade de todos que caminham de mão dada com ela. Este livro explica a realidade, através de conhecimento científico, aproximando a linguagem técnica das pessoas que não tenham formação na área.

 

O que este livro traz de positivo?

O livro partilha histórias de crianças, jovens e famílias sobre o diagnóstico, o dia-a-dia e o que fazem de diferente. Os casos de sucesso existem e a criança e o jovem devem ser abraçados por quem os rodeia. Um livro pode trazer mais informação aos pais, numa linguagem mais acessível, e ajudar a saber mais sobre o que significa ter a PHDA por perto. Consciencializar é, também, ter informação sobre os assuntos com que nos deparamos e acho que este livro tem um papel essencial em ajudar as famílias a saber mais sobre o assunto e apoderem, quem sabe, ter exemplos a abordar com os profissionais que os acompanham e encontrar novas estratégias.

 

PHDA nos livros infantis

Os mais novos podem aprender muito sobre os seus comportamentos com os livros. Aqui estão três sugestões de livros infantis que podem ajudar na hora do conto antes de dormir.

  • Damião, a toupeira furacão, de Anna Llenas. Sinopse: O Damião é uma toupeira muito irrequieta. Gosta de brincar e de aprender, mas o seu ritmo é demasiado para os amigos e para a escola, que muitas vezes o põem de parte por não o compreenderem.
  • Quando és um macaco, de Loredana Baldinucci. Sinopse: Há dias em que acordas e te sentes diferente. Por vezes, sentes-te dorminhoco e não consegues sair da cama; outras, pareces um leão cheio de coragem. Mas nas manhãs em que és um macaco, aguarda-te um dia agitado pela frente! Alguma vez te sentiste um macaco?
  • O mistério da sala de aula – Um livro sobre PHDA, de Tracy Packiam. Sinopse: Alguém roubou a comida do coelhinho Bola de Neve! A Inês está com dificuldade em manter-se concentrada na aula, pois só consegue pensar em reunir pistas para encontrar o ladrão. Será que a Inês, com a ajuda dos seus superpoderes, vai conseguir desvendar este mistério?

 

Podes ficar  a saber mais sobre o mês da consciencialização da PHDA no perfil do Instagram de Francisca Silva Ferreira sobre psicologia da educação.

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