“O anjo de Munique”: Sabes quem foi Angela Raubal?!

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Há algum tempo que não partilho aqui uma opinião de leitura… Depois de meses de muito trabalho, hoje regresso com a opinião do livro “O anjo de Munique”, de Fabiano Massimi. Ainda não ouviste falar sobre este livro?! Espero, com esta minha opinião, despertar a tua curiosidade em relação a ele!!

“O anjo de Munique” foi um dos livros escolhidos para o mês de Setembro no Clube Leituras descomplicadas. O outro livro do mês foi “Munique”, de Robert Harris, cuja opinião sobre ele podes ler neste artigo. Para assinalar o início da Segunda Guerra Mundial, este thriller leva-nos até Munique em Setembro de 1931. O ponto de partida?! Um acontecimento verídico que Fabiano Massimi explora de uma forma que prende, num thriller que vai crescendo com o virar das páginas.

 

“O anjo de Munique” no Clube de Leitura

Em Setembro, decidi fugir um pouco aos livros de não-ficção sobre a Segunda Guerra Mundial nos livros escolhidos para o clube. Escolhi “O anjo de Munique”. Em que se centra a sua história? Em sete dias Setembro de 1931, concretamente de 19 de Setembro a 25 de Setembro. Ponto de partida?! O corpo de Angela Raubal, sobrinha de Adolf Hitler, é encontrado sem vida no seu apartamento do número 16 de Prinzregentenplatz, em Munique. Geli tinha-se mudado para o apartamento de Hitler, em 1929, para estudar Medicina na universidade.

Todos os sinais apontam para o suicídio de Geli, após uma suposta discussão com o seu tio Adolf, na tarde de dia 18 de Setembro. Para perceber a verdade, surgem os inspectores Siegfried Sauer e Helmut Forster, que seguirão um novelo de linhas cruzadas, de pistas sequenciais e de conversas mais ou menos esclarecedoras, para descobrir o que verdadeiramente se passou no quarto onde Geli foi encontrada. Como bom thriller que é, “O anjo de Munique” rege-se segundo uma linha de acontecimentos que nos fazem criar as nossas teorias sobre este acontecimento trágico. Que relação tinham Hitler e Geli? Quais os laços de poder que se ataram antes da morte de Geli? Tudo isto com o famoso Oktoberfest como pano de fundo, em que facilmente nos imaginamos no ambiente inebriante, de muita alegria e música, tudo bem acompanhado com uma Brastwurst e uma caneca de cerveja.

 

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O que achei da leitura de “O anjo de Munique”?

Sou uma fã confessa de thrillers… Adoro uma boa investigação! E também adoro ler sobre a Segunda Guerra Mundial e os tempos que a antecederam. Logo, acho que dá para perceber que não fiquei indiferente a “O anjo de Munique” e aos inspectores Sauer e Forster, Mutti para os amigos. Ler este livro é mergulhar na sociedade e no ambiente de medo vivido em Munique, quase cidade-berço do Nazismo. Era nesta cidade que Hitler se sentia verdadeiramente em casa, rodeado do seu séquito de seguidores fervorosos, capazes de tudo pelo seu líder.

Fabiano Massimi revela, neste livro, uma extraordinária investigação sobre a morte de Angela Raubal. A lista das suas fontes bibliográficas é disponibilizada no final do livro, ponto bastante positivo neste livro! A nossa experiência com esta leitura acaba por não se encerrar na última página do livro, podendo continuar a explorar esta investigação e as diferentes teorias que outros autores já apresentaram sobre a mesma. Outro ponto bastante positivo que quero destacar sobre este livro é a listagem de personagens apresentada, logo no início, com a identificação dos protagonistas, as que são ficcionais e as que são verdadeiras e a sua distribuição geográfica pelos diferentes locais onde decorre a narrativa. O estilo envolvente de escrita de Massimi, que nos prende na narrativa, faz-nos desejar cada novo capítulo.

Para quem já leu livros de Robert Harris, consegue identificar neste thriller algo da pena desse autor. E isso é facilmente compreendido pelo que nos escreve Fabiano Massimi nos agradecimentos finais! As relações interpessoais entre as principais figuras do Regime Nazi (mesmo que ficcionadas) estão muito bem descritas, na minha opinião! A dimensão que lhes é dada por Massimi ajuda nas nossas teorias sobre os acontecimentos e adoro quando isso acontece numa leitura! Também gostei bastante da forma como Massimi destaca linhas-chave das personalidades dessas figuras nazis, que muitos de nós já conhecemos de livros de não-ficção sobre a época.

Goebbels, Himmler ou Goering surgem, aqui, descritos como sombras de Hitler. Mais ou menos alinhadas com as orientações de Mein Kampft, mais ou menos focadas nos seus objectivos individuais, mas sempre pinceladas de muita ambição… E algumas facadinhas nas costas!! O desenho social da Munique de 1931 mostra o Nazismo enraizado e a na Primeira Guerra Mundial que não esquecida nesta cidade da Baviera. E esse desenho complementa, na perfeição, a ficção saída da mente de Massimi, construindo o cenário para um livro que, considero, é muito bom no seu género de thriller histórico.

 

E houve alguma coisa que eu não tivesse gostado neste livro?

Único detalhe que não gostei muito… O tamanho de letra da edição pode assustar ou afastar alguns leitores. Dá uma oportunidade ao “O anjo de Munique” e não fujas dele por isso. Sauer e Mutti não te irão desiludir se contornares esse tamanho de letra pequeno e arriscares nesta leitura. Se gostas de thrillers e não viras as costas à História, tens mesmo de ler este livro.

 

Já conhecias “O anjo de Munique”? Já leste? O que achaste desta opinião? Deixa o teu comentário 🙂

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