“Segredo Mortal”: Será Bruno M. Franco o futuro grande escritor de thriller português?!

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“Segredo Mortal”, de Bruno M. Franco

(Link WOOK, Link Bertrand)

 

“Segredo Mortal” é o livro de estreia de Bruno M. Franco, um novo escritor português que promete dar cartas no género de thriller. Parabéns à Cultura Editora por apostar e trazer novos autores portugueses para o mercado! Estava extraordinariamente curiosa com este livro. O Bruno fez uma extraordinária divulgação nas suas redes sociais e ajudou a despertar o interesse. Todos os minifilmes que partilhou tornou impossível ficar indiferente ao que nos traria este livro. E depois de ter devorado este livro, hoje é dia de partilhar contigo a minha opinião sobre ele. Vamos a isso?

 

“Segredo Mortal”: O que te espera neste livro?

Com o pressuposto de conhecer como uma investigação pode mudar a vida como o conhecemos (e que acho que acaba por ter um duplo significado neste livro), “Segredo Mortal” tem a seguinte sinopse:

“Na véspera de Natal, cheias massivas submergem o centro de Lisboa, causando danos incalculáveis e centenas de mortes. Designada por Desastre de Lisboa, a catástrofe é atribuída ao aquecimento global. Mas terá resultado realmente das alterações climáticas? Um cenário aterrador é descoberto numa praia. Chamados a intervir, Leonardo Rosa e Marta Mateus, inspetores da Polícia Judiciária, deparam-se com a mais tortuosa perversidade: Um puzzle humano. Iniciando uma caça ao homem, descobrem o perfil de um assassino, perigoso e inteligente, que desafia as capacidades dos inspetores. Assombrado pelos seus próprios fantasmas, Leonardo Rosa terá de ultrapassar barreiras para conseguir chegar à verdade: A descoberta de um segredo incrível. Entretanto, um jovem recém-licenciado é acusado de dois crimes que ele jura não ter cometido. Encurralado, decide fugir e provar a sua inocência, mas logo se envolve numa teia de acontecimentos que o leva a uma conclusão terrível: Matar é a única forma de sobreviver. Em busca de justiça e da verdade, vários acontecimentos sangrentos levam os inspetores e o jovem a embrenharem-se na maior conspiração de todas. Conseguirão sair dela vivos?”

Misturando mudanças climáticas com crimes inexplicáveis, Bruno conseguiu construir uma teia que capta imediatamente o interesse. E, claro, o arranjo gráfico da capa livro está muito bem conseguido e alinhado com a história e o impacto que se pretende sobre nós.

 

“Segredo Mortal”: O que senti ao ler este livro?

Toda a narrativa está construída segundo os pontos de vista de três personagens: Carlos, Lúcio e Leonardo. O jovem universitário, o assassino e o inspetor da Polícia Judiciária. Não sei qual foi a inspiração para as personagens do livro, mas facilmente fui remetida para algumas séries televisivas ao longo da história.

Primeiro, a relação entre Leonardo e Marta Mateus (a M&M) fez-me lembrar partes dos diálogos das personagens de NCIS, Anthony DiNozzo e Ziva David. Aquela dinâmica pincelada por frases de duplo sentido, deixa sempre em aberto o que pode vir a acontecer entre estas duas personagens. Depois, a descrição da reunião nas instalações da Polícia Judiciária (que podes ler na pág. 130) transportou-me para o cenário de Criminal Minds. Impossível não rever as reuniões iniciais da equipa do FBI antes de apanharem o seu avião com destino ao palco de mais um assassino em série. Acho que foi uma descrição bastante bem conseguida do ponto de vista fotográfico. Ainda na mesma sequência, não pude deixar de antever um pouco da Penelope Garcia, informática de Criminal Minds, na descrição de Mota, o informático da PJ (que ficas a conhecer na pág. 139). Está nas suas mãos mergulhar nos meandros das redes para descobrir mais informação sobre os crimes que estão a acontecer. E impossível não sentir um pouco de David Rossi de Criminal Minds no antigo inspetor visitado por Leonardo e Marta… O responsável pela investigação de um crime décadas antes e que parece estar relacionado com o crime da actualidade. Ainda na linha das minhas suposições de inspiração, Bruno M. Franco trabalha no IPO e questiono-me quanto dos pacientes com quem lida diariamente constituíram as peças da personalidade da mãe de Carlos, que sofre de um cancro (pág. 41)…

 

Um cenário impróprio para os estômagos mais sensíveis… 

E agora a parte central de toda a história: o crime da praia da Fonte da Telha que me fez ficar com aquele sentimento de que não voltarei a olhar para aquela praia da mesma forma… Para quem, como eu, vê séries de True Crime em canais como Crime Investigation ou Investigation Discovery, não posso deixar de dar os parabéns ao Bruno. A descrição do cenário de horror consegue arrepiar os cabelos da nuca!! Sem dar spoilers, apenas vos digo que pode impressionar os estômagos mais sensíveis! Acredito que tudo o que está ali materializado seja fruto de muita pesquisa do autor! Acho que temos ali fragmentos de vários assassinos em série e que alguns Bruno refere no livro. Não posso deixar de mencionar a simbologia e os troféus que muitos assassinos em série guardam dos seus crimes, perspectiva que Bruno Franco explora sabiamente. Por exemplo, consegue materializá-la no cenário do crime descrito na pág. 184: uma mistura de códigos escondidos como pistas para a resolução do puzzle criminal. Acho que o Bruno conseguiu mesmo colocar o nosso cérebro a trabalhar com nome, idades e passagem da Bíblia! Gostei bastante desta associação que me fez, novamente, reverter para alguns dos assassinos em série de Criminal Minds.

Gostei também que se falasse um pouco da investigação académica feita no nosso país. Usando as alma mater de alguns grandes investigadores para descrever uma investigação que conduziu a toda a trama, dizendo que foi escolhido um país periférico e pouco importante, acho que Bruno quis exactamente demonstrar o contrário: a investigação académica portuguesa é extraordinária e não me espantaria em nada que os nossos investigadores sejam escolhidos para grandes investigações a nível mundial. Não sei se foi de forma consciente ou não, mas esta parte do enredo funciona como uma mais que merecida homenagem ao que de melhor se faz de investigação em Portugal. Obrigada, Bruno, por esta forma de mostrar que somos tão bons ou melhores do que aquilo que se faz lá fora!

 

Uma narrativa inebriante!

Voltando à narrativa, a velocidade a que acontece e a descrição dos locais onde a trama se passa, confere maior proximidade à leitura. Mas não pude deixar de sentir que, quem não seja da zona, possa sentir uma descrição demasiado detalhada… No entanto, está bastante bem conseguida esta parte e dei por mim facilmente a tentar adivinhar qual foi aquele bosque onde se escondeu Carlos na sua fuga da polícia! Palpites são aceites! 🙂 A sequência de todos os acontecimentos e os diferentes fios condutores de toda a história prendem qualquer leitor. É impossível não ficar preso a este livro de 488 páginas que se quer ver terminado rapidamente, tal é a vontade de conhecer rapidamente o desfecho das personagens de Carlos, Lúcio e Leonardo. Este foi um extraordinário início para Bruno M. Franco, que mostra que uma investigação pode mesmo mudar a via como se conhece: seja essa uma investigação académica que nos traz novos conhecimentos ou uma investigação criminal, em que se altera a vida de alguém para sempre! Muitos parabéns, Bruno por este livro e espero que este não seja o único com a dupla Leonardo e Marta!

 

“Segredo Mortal”: O Resumo Da Minha Opinião

O que mais gostei neste livro?

  • O ritmo acelerado e que nos prende desde as primeiras páginas que nos foi incutido pelo autor.
  • A introdução de informação sobre alguns dos assassinos em série mais marcantes do século XX para complementar a investigação criminal que estava a ser feita.
  • O lugar de destaque dado a uma investigadora, mostrando que tanto homens como mulheres podem ter carreiras brilhantes na área da investigação criminal e que o sucesso nessa área nada tem a ver com género.
  • A referência ao mundo académico português e a consciência dos excelentes “cérebros” que temos no nosso país.

 

Detalhes Do Livro:

Título: Segredo Mortal

Autor: Bruno M. Franco

Editora e data de publicação: Cultura Editora, Março de 2021

Encadernação: capa mole

Páginas: 488

Classificação temática: Literatura – Policial e Thriller

Classificação Goodreads: 4,39

 

Este livro foi gentilmente cedido pela editora. 

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