“O Cardeal”: Nuno Nepomuceno numa entrevista a não perder!

 

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“O Cardeal” é a grande novidade de 2021 no que toca a thrillers em Portugal. Nuno Nepomuceno traz-nos a sequela de “A Morte do Papa”, num livro que promete não deixar ninguém indiferente. Falar de thrillers escritos em português é pensar, de imediato, na série de Afonso Catalão. É, igualmente, sinónimo de um grande sucesso de vendas e muita curiosidade por parte dos autores. A divulgação da capa de “O Cardeal” é a prova disso e que pudeste ver, em primeira mão, na partilha que fiz em Dezembro. Desafiada pela Cultura Editora, estou a participar na Book Tour em torno da divulgação do novo livro do Nuno e hoje trago-te uma entrevista em que vai poder ficar a conhecer um pouco melhor este autor. Vamos a isso?

 

Antes de mais e porque os leitores têm sempre muita curiosidade sobre os seus autores preferidos, quem é o Nuno Nepomuceno? Como nasceu a sua paixão pela escrita?

Chamo-me Nuno, escrevo sob o meu nome verdadeiro, tenho 42 anos, sou natural das Caldas da Rainha e publiquei o meu primeiro livro em 2012, ano em que venci o prémio literário organizado pelo grupo Sonae, grupo LeYa e a revista Lux Woman, com “O Espião Português”. Desde essa altura, publiquei vários títulos, quase todos dentro do género dos thrillers, entre os quais se encontram os outros dois volumes da trilogia Freelancer e os cinco da série Afonso Catalão. Sou ainda autor de diversos contos e duas séries de ficção em podcast. “O Cardeal”, o meu próximo thriller protagonizado por Afonso Catalão, estará em todas as livrarias no dia 14 de janeiro de 2021.

O meu interesse pela escrita resulta da leitura. Li bastante durante e infância e a adolescência. Apesar de vir de uma família numerosa, era o único rapaz, o que fazia com que fosse algo solitário. Inicialmente, a leitura foi para mim uma forma de evasão. Depois, houve um momento a partir do qual em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado, ou seja, ter o poder de construir o enredo do livro e dessa forma tocar o leitor, fazê-lo sentir emoções. Hoje em dia ainda é esta faceta do processo criativo aquela que mais me seduz.

 

Qual foi a sensação de receber o Prémio Literário Note! 2012 com o livro “O Espião Português”? O que esteve na origem desse livro de espionagem?

A publicação de “O Espião Português” foi o culminar de um processo de oito anos. É um livro inocente, escrito por um autor sem experiência, mas que curiosamente conseguiu cativar muito público. Na altura, encarei o facto como uma vitória, mas, tal como se comprovou posteriormente, sabia que ainda tinha muito para ultrapassar adiante. “O Espião Português” era para mim apenas o início da (minha) história, resultando do desejo de escrever no género que me é mais querido, a espionagem.

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E agora falando mais em especial de Afonso Catalão… Como nasceu este professor com ligações aos serviços secretos? Inspirou-se em alguém para esta personagem tão marcante?

Curiosamente, apesar da longevidade que a série já tem, Afonso foi uma personagem pouco planeada, ou, pelo menos, não tanto como o protagonista da trilogia Freelancer. Quando estava preparar “A Célula Adormecida“, o primeiro tomo da série, dei-me conta que necessitava de uma personagem principal com duas características fundamentais: um passado escondido, cheio de meias-verdades e histórias mal contadas, e uma bagagem cultural acima da média, adequada aos arcos narrativos do livro. Precisava de um herói assim porque desejava escrever um livro mais negro do que os anteriores. Por outro lado, tinha de ser credível. Daí que a primeira coisa que fiz foi construir o currículo do senhor professor.

 

Todos os livros da série de Afonso Catalão são verdadeiros thrillers religiosos que nos fazem viajar por religiões preponderantes em todo o mundo – Cristianismo, Islão e Judaísmo. Como se inspiram para escrever este tipo de thrillers? Qual o processo de pesquisa e em que se inspira para os livros desta série?

Tem surgido de forma diferente em quase todos os livros. “A Célula Adormecida” foi criada com bastante rigidez, sem espaço para grande criatividade. O enredo principal seria um atentado terrorista em Lisboa, com um enfoque especial nas tensões sociais criadas pelos movimentos migratórios, e não havia como evitar centrar-me na religião muçulmana. Por isso, construí um arquivo de imprensa sobre o tema e consegui várias entrevistas com o imã principal da Mesquita Central de Lisboa, que me ensinou alguns conceitos sobre o Islão.

A partir deste livro o processo alterou-se. Gostei tanto do trabalho de preparação que fiz para “A Célula Adormecida”, da aprendizagem que o livro me proporcionou, que decidi fazer o mesmo em relação ao judaísmo. Mas havia também um passado da personagem principal que ainda estava por explorar. Foi por causa disso que a ação de “Pecados Santos” passou a repartir-se entre Lisboa e Londres, nomeadamente entre as comunidades judaicas das duas cidades.

Com “A Última Ceia” iniciei a minha abordagem à religião católica. Na verdade, o livro é um aproveitamento de uma ideia que rejeitei durante a redação de “Pecados Santos”, o episódio bíblico da Ceia do Senhor, que não pudera aproveitar por pertencer ao Novo Testamento.

Após este livro, sentia-me algo vazio e nessa altura quem me ajudou foram os leitores, que me tinham pedido um thriller religioso clássico, cheio de intrigas e conluios, passado na Cidade do Vaticano. Por causa disso, decidi investigar alguns mistérios da religião católica que ainda estão por explicar, chegando à morte do Papa João Paulo I, que acabou por inspirar o livro.

“O Cardeal” surgiu ainda durante a redação do livro anterior, do desejo de desenvolver mais a história de uma família que surge pela primeira vez na série em “A Morte do Papa”, mas com um papel secundário. Estou muito satisfeito com a opção que fiz. Os segredos desta família tinham de ser contados num livro!

 

É indiscutível o sucesso de vendas que os seus livros são, principalmente os da série de Afonso Catalão. Acha que são uma boa forma de refletir sobre o papel da religião na sociedade dos dias de hoje?

Ainda bem que a Sandra colocou esta questão; é muito pertinente. Não o fiz em todos os livros, mas em alguns tentei levantar questões atuais sobre a forma como nós, crentes ou não, nos relacionamos com a religião. Por exemplo, em “A Célula Adormecida” somos questionados sobre os preconceitos que nós, ocidentais, mantemos em relação ao Islão. Serão todos os muçulmanos terroristas? Será que um terrorista sequer se poderá intitular um crente, quanto mais, um muçulmano?

Noutros, como foi o caso de “Pecados Santos”, procurei dar apenas a conhecer a religião — o judaísmo, neste caso —, ou questionar alguns dos valores cristãos, como acontece em “A Morte do Papa”. Gosto de experimentar registos alternativos; daí que os livros da série não sejam réplicas uns dos outros.

 

Chega-nos agora “O Cardeal” que nos continuar a deambular pelos corredores da Cidade do Vaticano. O que podem os leitores esperar deste livro?

“O Cardeal” centra-se na morte de uma idosa e no desaparecimento de uma criança, curiosamente vizinhos, cujos cadáveres são descobertos na pacata cidade universitária de Cambridge, junto ao rio Cam, com poucos dias de intervalo. Simultaneamente, o livro fecha um dos arcos narrativos que deixara aberto no fim de “A Morte do Papa”, criando uma ligação entre os acontecimentos no Palácio Apostólico e na cidade de Cambridge.

É um livro algo diferente dos anteriores, que na minha opinião homenageia toda a série, trazendo de volta referências aos seus antecessores, e fazendo reaparecer personagens, enquanto desenvolve novas. Contém várias surpresas, mas julgo que uma das maiores será o regresso de Afonso à Universidade de Cambridge.

 

Um novo livro que chega às livrarias no novo ano… Quais os seus desejos, enquanto escritor, para este novo ano e que palavras gostaria de dirigir aos leitores em Portugal?

Apenas desejo que todos nós, em geral, incluindo os leitores, possamos retomar a normalidade. Gostaria que voltássemos a poder estar com as nossas famílias e amigos sem medo de os contagiarmos e que as pessoas que na sequência da crise que se instalou perderam o emprego, consigam recuperá-lo.

 

Por último, o que falta escrever a Nuno Nepomuceno? Vamos continuar a acompanhar as aventuras de Afonso Catalão?

A série irá continuar durante pelo menos mais um livro. Conto escrevê-lo durante o ano de 2021, tendo em vista uma publicação que deverá acontecer no primeiro trimestre de 2022. Entretanto, será reeditada pela Cultura Editora toda a trilogia Freelancer e deverei ainda preparar uma segunda temporada da série de ficção em podcast “O Assassino”.

Não fiz planos para depois de 2022. Neste momento, pondero seriamente a hipótese de após a edição do sexto volume da série Afonso Catalão, fazer uma pausa por tempo indeterminado, no mínimo de dois anos.

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Nuno, muito obrigada por esta oportunidade de o conhecer um pouco melhor e perceber como nascem os seus maravilhosos livros! Que este “O Cardeal” seja um enorme sucesso em 2021!

 

Todas as fotografias utilizadas neste artigo são da autoria de Marisa Martins e foram gentilmente cedidas pela Cultura Editora para esta entrevista.

Comments 2

  1. Gostei muito de conhecer mais o que está por trás da escrita dos livros que já li. Curiosamente, tenho lido os livros do Nuno “ao contrário”. Eu sei que eles não têm propriamente uma ordem para ser lidos, mas como existem referências aos mais antigos nos mais novos, percebo que estou a agir dessa forma. Como até achei piada, vou continuar a ler da frente para trás.

    1. Eu sou aquela que gosta de pesquisar um pouco mais sobre o que leio e tentar descobrir algumas curiosidades. É aquele sentimento de ir para além dos livros de eterna criança que não saiu da idade dos porquês eheheh Acho que não ficas a perder de ler da frente para trás, consegues perceber bem a história sem problemas 🙂

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