“O Carteiro de Auschwitz”: Um dos livros mais intensos que li em 2020!

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O ano de 2020 foi preenchido com leituras intensas e marcantes… “O Carteiro de Auschwitz” (link WOOK, link Bertrand) faz parte dessa lista de leituras! Como sabes, o tema do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial é uma das leituras que mais faço. Fruto desse meu interesse, criei o projecto “Ler é respeitar a história” em 2020 e que continua este ano. A libertação de Auschwitz e o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto são o tema deste mês no Clube de Leitura, porque acredito que devemos continuar e a refletir sobre este tema.

E nada melhor do que partilhar contigo a minha opinião sobre “O Carteiro de Auschwitz” e falar-te um pouco sobre a forma como ele me marcou. Se queres participar no Clube de Leituras este mês e não tens o livro “Uma vida adiada”, de Dita Kraus, não há problema. “O Carteiro de Auschwitz” pode ser a leitura certa para ti! Então e que livro é este? “O Carteiro de Auschwitz” traz-nos a história da adolescência de Joe Rosenblum, nascido em 1925 em Miedzyrzec, na Polónia. O ano de 1939 marca, para sempre, a mudança radical na sua vida com a invasão nazi do seu país. Ainda criança quando ocorreu esta invasão, Rosenblum escapou à execução em massa em que morreu o seu irmão. Obrigado a refugiar-se numa quinta para se salvar da perseguição nazi, Joe desafia a sobrevivência depois de ser capturado e levado para Auschwitz. É aí que interpreta o verdadeiro papel em prol da resistência e de entrega ao próximo. Como se pode ler na sinopse deste livro:

Inteligente, criativo e extremamente pragmático, Joe desafiou a morte, transportou a esperança e deu um exemplo perfeito de humanidade, otimismo e perseverança. Com uma bondade sem limites, ele entregou mensagens secretas aos prisioneiros, salvou crianças da câmara de gás e devolveu a luz e a esperança ao coração dos homens num dos períodos mais terríveis da história mundial.

E qual a minha opinião sobre o livro?

 

“O Carteiro de Auschwitz”: Uma história a que é impossível ficar indiferente!

Antes de mais, quero dizer-te que não te deixes levar pela polémica em torno da utilização do nome Auschwitz em muitos livros publicados sobre o Holocausto em Portugal recentemente. Muito se tem ouvido que se trata de aproveitamento, de má utilização da memória dos sobreviventes desta fase terrível, de romancear acontecimentos terríveis… Antes de seguires nessa crítica, vê primeiro qual é o título original do livro. “O Carteiro de Auschwitz” tem, como título original, Defy the darkness: A tale of courage in the shadow of Mengele“. Mais do que centrar-se em Auschwitz, o livro pretende mais mostrar a coragem de Joe Rosenblum na sombra do “Anjo da Morte”. Joe perdeu todos os seus familiares no Holocausto mas conseguiu sobreviver para contar-nos a sua história. Um jovem adolescente quando os nazis invadiram a Polónia e se iniciou a Segunda Guerra Mundial, testemunhou de perto a máquina de horrores do III Reich através das duas passagens pelos campos de concentração de Madjanek, Auschwitz-Birkenau (que ajudou a construir) e de Dachau já na fase final da guerra e da libertação pelos Aliados.

“O Carteiro de Auschwitz” é muito mais do que um livro de um sobrevivente. Lê-se na capa da edição portuguesa que “Só aqueles que mantêm a esperança são capazes de resistir“. Joe Rosenblum manteve a esperança, a bondade e a empatia por quem o rodeava numa realidade que nos parece, nos dias de hoje, totalmente paralela e inconcebível. Ou talvez não… A sua alcunha de “Carteiro de Auschwitz” resulta da sua colaboração com o movimento underground em Auschwitz para o qual transportava cartas e mensagens com a evolução da guerra. Este não é um livro cor-de-rosa ou romanceado como muito agora se diz sobre os livros que têm Auschwitz no seu título. É um livro com partes bastante duras e gráficas que nos arrepiam e mexem com o estômago. Não existem aqui histórias de amor ou o romantismo do sobrevivente. Existe alguém que perdeu toda a sua família, que arriscou a sua vida permanentemente por acreditar que valia a pena ajudar o próximo. Cruzou-se com Mengele, o Anjo da Morte de Auschwitz, e sobreviveu para nos falar dele.

Sem dúvida, um relato de vida que vale a pena ler. Como o próprio Joe nos escreve no epílogo do livro, os campos de concentração, por piores horrores que lá se tenham passado, não devem ser destruídos para que as gerações presentes e futuras não se esqueçam do que lá se passou e que não o repitam no futuro. Por isso, este é um livro essencial para o projecto “Ler é respeitar a história”: conhecer a vida de um sobrevivente para que possa respeitar todos os que morreram, os que sobreviveram e aqueles que todos se dias lutam contra o renascer de algo horrendo assim. Mais do que válidas as cinco estrelas que dou a esta leitura!!

 

Detalhes do livro:

Título português: “O Carteiro de Auschwitz”

Título original: Defy the darkness: A tale of courage in the shadow of Mengele

Autor: Joe Rosenblum e David Kohn

Editora e data de edição: Alma dos Livros, junho de 2020

Encadernação: capa mole

Páginas: 352

Classificação temática: Literatura – Memória e testemunhos

Classificação Goodreads: 4.45

 

Para além de “O Carteiro de Auschwitz”

Se ficaste com curiosidade sobre este livro e queres participar no projecto “Ler é respeitar a história”, deixo-te três sugestões de leitura que tenho a certeza de que irás gostar.

“Um young adult“: “Órfã, monstro, espia”, de Matt Killen, TOPSELLER Editora (podes ler a minha opinião sobre este livro aqui)

“Um livro passado na Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial”: “Os rapazes que desafiaram Hitler” de Phillip Hoose, Editorial Presença

“Um livro sobre as SS ou Gestapo”: “Gestapo. O mito e a realidade da polícia secreta de Hitler” de Frank McDonough

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